sábado, 28 de novembro de 2009

Sexualidade, Identidade e Gênero(s)

Amigos, esta é a primeira vez que posto neste Blog e arazão é muito simples: este é o centro, o núcleo de meu estudo enquanto Psicossociólogo. Sou Bacharel em Psicologia pela UFRJ e atualmente estou iniciando minhas pesquisas no Mestrado da PUC-Rio, e estesítio tem sido minha base de coleta de dados desde meus estudos monográficos. O nascimento do “novastendenciasexuais” foi acompanhado por minhas observações dos relatos, depoimentos e notícias postadas pelos demais integrantes, seguidores e colaboradores.

Percebi, ao longo deste período, que há diversas demandas quanto à sexualidade, mas que esta apenas permeia algo que me parece mais profundo, a identidade de todos. Questões muito comuns como: “O que eu sou?” ou “Como posso ser algo que o restante da sociedade julga como ruim?”, estão intimamente relacionadas com o que cada um ‘é’, ou seja, aessência fundamental de cada ‘ser’.Por isso resolvi fazer um “breve” (rsrsrsrsrs) post que esclarece algumas questões e, obviamente, suscita outras. Mas a intenção é ajudar a desmistificar a sexualidade do meu ponto de vista, logo, a de um Psicossociólogo.

Gênero Biológico vs. Gênero Social

Homem, mulher, gay, lésbica, transexual, transgênero, etc., nomenclaturas comuns no universo da sexualidade humana. Na contemporaneidade, muitos conceitos são divulgados de forma equivocada e defendidos a tal ponto que se aproximam do fundamentalismo. Movimentos são criados para fazerem gerar direitos civis e penais que defendem minorias sexuais. A cada dia, todavia, novas tendências aparecem e são repelidas pelas minorias “tradicionais”.

Apesar desta questão que é demasiada complexa para colocar em breves linhas, há algo que eu desejo compartilhar com os leitores deste sítio. Há claras diferenças entre o Gênero Biológico e o Gênero Social.Porém, o ser humano é tão maravilhoso que enfrentou o próprio destino imutável da Biologia. Ora, lembremo-nos que há uma libido sexual, uma vontade de possuir e ter o outro. Se há um outro significa que estamos em contato, em interação social. O desejo é social por essência. São os atravessamentos das relações sociais que temos desde a infância, o contato com outras pessoas, que nos fazem desejar alguém que não nós mesmos. Afinal, se desejamos a nós mesmos, a nossa auto-imagem que orientamos a libido é do nosso mesmo gênero biológico, logo, teríamos uma relação homossexual conosco.Gênero Biológico é constituído pelo conjunto de características fenotípicas que cada ser humano apresenta (vamos lembrar a aula de Biologia!). Em última análise, caracteres primários (por exemplo: pomo de adão, pênis e saco escrotal no homem; vagina, útero e ovários na mulher) e caracteres secundários (acúmulo de pêlos em diferentes regiões corporais, maturação das cordas vocais e diferentes disposições de massa muscular) que surgem após o início da puberdade. Portanto, um homem é biologicamente reconhecido como homem se apresentar em seu fenótipo caracteres primários e secundários. Há, no entanto, seres humanos que apresentam uma mistura destes fenótipos. Nesses casos a Biologia nos oferece a boa e velha análise genética. Os genes são responsáveis por nos dizerem se o sujeito é homem ou mulher. Isto significa que, da ótica da Biologia, só há dois gêneros humanos: homem e mulher, feminino e masculino. Mesmo um transgênero que muda radicalmente seu fenótipo não será capaz de mudar sua codificação genética. É neste momento que temos o conflito: o antagonismo entre o Gênero Biológico e a Orientação da libido sexual é que cria problemas para a identidade. Ao longo de nossa convivência social aprendemos a ver a Biologia como verdade absoluta e contundente, cientificamente infalível. Torna-se a pedra fundamental de nosso pensamento e, por fim, não questionamos suas afirmações.

Partindo desta premissa é que temos o segundo conceito: Gênero Social. A orientação do desejo para outro objeto (seja outro ser humano, um animal, um vegetal, objetos inanimados, etc.) passa a ser paradigma para definirmos nossa sexualidade. Isto é, homossexual, heterossexual, transexuais são orientações do desejo sexual e, portanto, classificações sociais que levam em consideração para que outro(s) sujeito(s) nós orientamos nossa libido. Da mesma maneira, podemos usar outros critérios de classificação ou adicionar aos critérios mais tradicionais outras situações, por exemplo, a primeira característica é a heterossexualidade na libido meramente sexual, mas gosta de exercitar seu desejo com outros do mesmo sexo, ficando meramente no âmbito do “ficar”: temos, neste sentido, um ‘heteroflex’. O Gênero Social não tem limites uma vez que os objetos de desejos são ilimitados. Em início, se um homem deseja outro homem, é homossexual; se uma mulher deseja um homem, ela é heterossexual. Contudo, a Biologia não consegue extinguir as possibilidades da sociedade. Neste momento, começam a surgir outras definições para diferentes situações da sexualidade e da orientação do desejo. Pessoas mudam de sexo através de cirurgias plásticas, ingestão de hormônios e a própria sociedade se ajusta às mudanças.

Portanto, ser alguma coisa pode não ser amanhã, não se preocupe em se ajustar à Biologia ou ao Social, sinta-se livre no seu desejo e oriente-se para aquilo que queria, sem tentar rotular. Os rótulos virão, pois é essência da sociedade, mas seja lá qual for, apenas seja verdadeiro consigo mesmo e forte para viver a sua própria verdade

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

metrosexual


Metrossexual é um termo originado nos finais dos anos 90, pela junção das palavras metropolitano e heterossexual, sendo uma gíria para um homem heterossexual urbano excessivamente preocupado com a aparência, gastando grande parte do seu tempo e dinheiro em cosméticos, acessórios e roupas de marca.

Foi usado pela primeira vez em 1994 pelo jornalista britânico Mark Simpson e foi aproveitado pelas revistas masculinas britânicas e norte-americanas para fazerem desta definição o seu público-alvo. Depois da sua utilização ter decrescido nos EUA, o termo foi re-introduzido em 2000 a par da diminuição dos tabus relativos à cultura gay (e com a qual este termo era frequentemente confundido).

Mas só em 2002 é que o termo se vulgarizou. Tudo começou com um novo artigo de Mark Simpson, onde afirma que um exemplo conhecido de alguém que se encaixa no perfil do metrossexual é David Beckham, atleta do Los Angeles Galaxy, que gosta de passar o dia nas compras, arranjar as unhas, ir ao cabeleireiro ou cuidar do corpo. Após a publicação de tal artigo, a firma Euro RCSG Worldwide adoptou-o numa pesquisa de mercado e o jornal New York Times deu uma grande destaque à metrossexualidade, difundindo amplamente o termo.

Os metrossexuais são conhecidos por não viverem sem a sua marca predilecta de hidratante para a pele, apreciarem um bom vinho, sonharem com o último modelo de carro desportivo e gostarem de comprar peças de design. São heterossexuais. Estes seres vaidosos estão geralmente bem colocados profissionalmente.

Mais do que uma moda passageira, a presença deste homem está bem viva nos EUA e Europa, tendo o mercado de acessórios masculinos crescido exponencialmente. Marcas como Dolce & Gabbana, Giorgio Armani, Prada ou Versace têm colocado cada vez mais artigos à disposição dos seus clientes. Por outro lado, a marca de sapatos de design italiano Tod's tem-se dedicado a modelos feitos à mão para este nicho de mercado, podendo atingir um par de sapatos valores como 350 euros.

O aparecimento recente deste termo está ligado à alteração de comportamento do sexo masculino no final do século XX. Tal como as mulheres, os homens começaram a folhear as revistas masculinas para saberem o que está ou não na moda. Deixaram de cortar o cabelo no barbeiro e passaram a frequentar com mais assiduidade os institutos de beleza. Têm cuidados com a sua pele e sentem-se menos embaraçados para entrarem numa perfumaria e adquirirem cosméticos para si. Nos anos 70, apenas alguns homossexuais masculinos se preocupavam com tais questões.

sábado, 24 de outubro de 2009

Chats Gays


Recentemente tem rolado alguns chats no msn e no orkut voltado pro publico gltb em geral entrem e confiram ..! eu mesmo testei e tá aprovadoo..!!!

Adicione um dos MSNs abaixo conforme sua localidade e converse com outros membros nos bate-papos do grupo:



Região Sudeste
group797242@groupsim.com

Região Nordeste
group797544@groupsim.com

Região Sul
group796942@groupsim.com

Região Norte
group797179@groupsim.com

Região Centro-Oeste
group797229@groupsim.com

Interior de Minas Gerais
group774722@groupsim.com

Belo Horizonte e Grande BH
group778247@groupsim.com


USE CAMISINHA EM TODAS AS RELAÇÕES, SEM EXCEÇÃO!

Comunidade no Orkut : Gay ou Bi por Estado

Oi pessoal..! peço desculpas pelo breve periodo sem postagem me encontrava muito ocupado por conta da faculdade entre outros problemas mais o q importa é que o blog está de volta..! Conto com a ajuda de vcs pra continuarmos crescendo levando um pouco de informação e quebrando os tabus que ainda resiste aos tempos modernos , vamos lutar por um mundo melhor livre de preconceitos.!

!! Precisa de Um blogueiroo !!

Quem quiser ajudar no blog a postar e genrenciar o mesmo ... é só entrar em contato pelo msn rafaelnogueira666@hotmail.com

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Professor de biologia leva para casa lote com 200 pênis



**nota: A pessoa da foto NÃO e o professor da materia citada abaixo

Foi pau a pau. Durante três minutos e 20 segundos, um professor de Biologia e uma gerente de sex shop duelaram para ficar com o lote 44 do leilão da 6ª Vara do Trabalho de Nova Iguaçu: “200 pênis em silicone, modelo Peter King 08, sendo cem com escroto”. Neste páreo duro, o biólogo que dá aulas na rede estadual de ensino aproveitou as economias pessoais e ofereceu R$ 2,9 mil. Com o lance mais alto, venceu a disputa e levou os artefatos sexuais para a casa.
O leilão dos brinquedinhos eróticos aconteceu devido a uma ação judicial. Lúcio Silva Ribeiro, de 34 anos, afirma ter sido demitido da fábrica Gaia Horne Sex, sem receber os direitos trabalhistas, e cobra R$ 4,7 mil. Alexandre Oliveira, dono da empresa já desativada, não reconheceu a dívida, mas a Justiça do Trabalho determinou que os pênis de silicone fossem leiloados para o pagamento do ex-funcionário. — Vou revender na internet, por R$ 45 cada um, em sites de vendas como o Mercado Livre. Fiz uma pesquisa e vi que o preço, nas lojas, é de até R$ 80. É algo normal. As pessoas têm certo preconceito e precisam acabar com isso. Sexo é parte da vida — disse o professor dos ensinos fudamental e médio, que é casado, tem um filho de 10 anos e pediu para não ter seu nome revelado porque teme ser alvo de piadas dos seus alunos.

Com a revenda, o dinheiro investido deve render cerca de R$ 9 mil ao professor. Como fala de educação sexual em suas aulas, ele pretende guardar um pênis de silicone para as lições de uso da camisinha. Decepção por derrota na batalha dos pênis Alessandra Vieira ficou chateada com a derrota no leilão. A compra por valores muito abaixo do praticado no mercado era uma questão de estratégia. Segundo a gerente, o pênis de silicone é a segunda peça mais pedida na loja. Só perde para as bolinhas que explodem, durante o ato sexual. A dona da loja de lingerie, fantasias e artefatos eróticos planejava fazer o Festival do Pênis, com promoções e descontos para os clientes.
— Temos apenas 20 peças e gostaríamos de arrematar todo o lote, mas fica para a próxima, se houver — ressaltou a médica Carla Ismael, de 54 anos, moradora de São Conrado, Zona Sul do Rio. Uma empresária, dona de uma rede com três sex shops, chegou a entrar na sala do leilão, mas perdeu a hora e a chance de arrematar o lote 44.

Marylou diz: porque ninguem me falou desse leilão?? =S

postado por: Marylou Ferreira

orkut:http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=3376687714358990385&rl=t

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Dicas de Moda Masculina...!

A moda masculina hoje caminha para o lance da customização – (A palavra customização é empregada no sentido de personalização, adaptação. Desta forma, customizar é adaptar algo de acordo com o gosto ou necessidade de alguém. Customização pode ser entendida como sendo adequação ao gosto do cliente)Mais que customizar os homens estão aprendendo a sobrepor as peças de roupas. Um detalhe na forma de vestir que pode fazer total diferença. Afinal, para que comprar um bilhão de peças de roupas se você não vai usar nem a metade. Conheço um bocado de homens que compra roupa sem entender patavinas do que está comprando e o pior, já tendo a certeza que não usará a tal roupa. Mas, cabe a nós blogueiros e amigos da internet dar uma forcinha. Vou postar abaixo algumas fotos de modelos que encontrei na internet.Cada um com seu estilo. Como digo, o lance é sobrepor a roupa e assim terá um visual super despojado sem ser fora de moda. Aliás, o que é a moda no século 21? Se não aquilo que usamos e nos sentimos bem. Espero que curtam as fotos e as roupas. Algumas eu usaria, outras já nem tanto, mas tudo vale quando o objetivo é se vestir bem e ser feliz!Ops! Já ia me esquecendo sem falar na moda de roupas xadrez que quase todos boys já estão usando, fica lindo!!!!!!!!!









































O que vale mesmo é você dar a sua cara pra roupa que você está vestindo.... o que dará um realçe na sua personalidade..!



















Só deixando uma ultima dica vale lembrar que assim como o xadrez o listradado tambem está no alge da moda ..! e pro verão a cor da moda é o rosa claro então já prepare o armário com tons claros ...!

Saindo do meu Armário..!


Meu nome é Juliano, tenho 27 anos, e a minha saída do armário se deu por causa de uma dor enorme que eu sofri dois anos atrás. Algo dessa grandeza volta e meia aparece nas minhas lembranças, pois foi algo triste, mas bonito. (como algo pode ser triste e bonito ao mesmo tempo?) Para contribuir com meu depoimento, resolvi remexer o meu diário e transcrever aqui pra vocês:



Domingo, 11 de Setembro de 2005
Estava eu arrumando meus armários (que são ótimos para reter o que você acha que largou pelo caminho), agora que tenho bastante tempo livre para me perder entre poeira e coisas acumuladas, quando encontro um cartão há muito tempo esquecido, datado de Dezembro de 2003. A bateria da musiquinha ainda tem energia para entoar a canção.
É um cartão de natal, e nele está escrito:


"Jú: Te desejo toda a paz do mundo neste ano que vai chegar. Não foi do jeito que planejamos, mas pode ter certeza que você não sai do meu pensamento, e para Deus, nada é impossível... Querido, depois te escrevo uma carta pois não tive tempo de escrever agora.Que neste natal, o único presente que eu quero ganhar é o seu coração!!!
Feliz Natal
AMO VOCÊ
De seu eterno amor, _ _ N _ _ ."
Também encontrei a trilha sonora de 2003. Ano em que eu o conheci. Nela, canções belas e de um amor inocente que nunca mais foi despertado em mim. Ser um pouco mais racional e seletivo tornou-me mais prático e mais desapegado. Não sei se eu desaprendi a andar nas nuvens ou talvez ainda não tenha aparecido ninguém que me fizesse fazer isso novamente, nem suspirar e sonhar com esperança ao ouvir tais músicas, baladas doces que são unica e simplesmente glicose. Pelo menos agora. Antes, eram mais que denominações químicas. Ultrapassavam qualquer sentido e chegavam até meu coração. Talvez meu coração deixasse chegar qualquer coisa fácil demais.
Foi então que cheguei à última faixa do disco e ouvi a seguinte canção que parecia predizer o ano de 2004, que batia à porta:
"Este ano será incrível. Este ano será O ANO! Todos os planetas estão se alinhando para mim Este ano, eu vou me divertir..."
Ele foi O ANO? Bem, tinha tudo para ser. Eu estava estagiando, meu namorado estava para chegar (que carma, hein? alguém que vive viajando e te deixando com mais saudade...) e eu finalmente teria um relacionamento estável e normal, estava muito feliz, minha família estava ótima e eu tinha uma proposta de emprego, além de grandes expectativas na universidade.
Meu namorado não veio, fui demitido do estágio, meu pai entrou num grave problema de saúde, a universidade estava desestimulante, depois descubro que a pessoa que eu considerava meu amor me enganou, e logo após meu relacionamento e todos os planos, sonhos e tudo em que mais acreditei foi jogado fora e eu tive a queda mais longa e dolorosa da minha vida. Eu estava disposto a encarar o mundo por ele. A jogar tudo pro alto e construir uma vida juntos. Eu estava feliz. E tudo acabou num dos piores momentos de minha vida.
Será que foram os piores mesmo?
Na mesma noite em que fui empurrado do meu precipício (quando ele terminou comigo por telefone), pedi ajuda aos meus pais como nunca havia pedido antes. Precisei do colo deles como eu nunca tive coragem de precisar. Como nunca ousei pedir. Eu estava preso dentro de mim mesmo, mas eu havia crescido tanto em sonhos, em necessidade de liberdade, em dor, também, que já não havia mais espaço para uma segunda pele continuar me contendo. Fora que os hematomas que tomaram conta de minha alma cresceram e estavam rasgando a fina linha que me fizera suportar tanto durante todos esses anos. Eu não podia estar triste quando estava e nem podia pedir ajuda quando precisava.
Quantas noites eu quis o colo e as mãos do meu pai afagando minha cabeça e sua segurança, me garantindo que tudo ia terminar bem? Perdi as contas. Mas naquela noite, eu não aguentava mais carregar o peso do mundo. Eu precisava ter uma vida. Eu precisava ter carinho. Eu precisava ter um pai e uma mãe. No seu sentido mais pleno.
-Mãe?-O que houve?-Eu... eu não sei... Eu... não sei mesmo... (Mentira da groooooossa!)
Qualé, Juliano? Á esta altura não adianta mais voltar atrás! Conta, conta, conta! Ela é sua mãe! Quem disse que as palavras saíam?Então, resolvi tentar enrolar:
-Eu... acho que estou com depressão, mãe. Tenho chorado sem motivo de uns meses pra cá... Acho que é isso... (Ótimo, meu filho. Até seu primo de sete anos daria uma desculpa melhor. Você pensa que a sua mãe é retardada? Ela te conhece, pô!)-Pra você estar chorando assim, tem que ter algum motivo, o que houve?-Mãe, me diga uma coisa, com sinceridade... Eu sou menos do que meus irmãos?-Como assim?-Meus irmãos fizeram a senhor e meu pai passarem por todos os stress que a maioria dos adolescentes fazem os pais passarem... Já chegaram bêbados em casa, já sumiram dias sem dar notícias, já repetiram de ano, já levaram reclamação da escola, já se meteram em brigas, já engravidaram meninas, já bateram com o carro... E eu pulei tudo isso. Ainda assim, eu sou menos do que eles?-Porquê essa pergunta, filho?-Mãe... é que eu vou te dizer uma coisa, que... eu não sei como é que vai ser... (trêmulo, chorando)Ela então percebe que é algo sério e muda seu semblante como eu... Ela está triste, pois percebe que eu estava precisando muito dela como nunca precisei antes... E teme pelo que pode ser...-Mae, eu tô assim porque terminei um namoro.-Ah...-...Com um cara.Achei que aqueles segundos em silêncio iriam durar para sempre. Mas eu continuei:
-Mãe, a razão pra ele ter terminado foi que descobriram sobre ele e o expulsaram de casa, o humilharam na frente de todo mundo, e ele agora se nega a ser tudo aquilo que o xingaram... Quem qer ser algo que pode ser escorraçado pela própria família? Mãe, eu sou assim, não tenho nenhum grilo quanto à isso, Sei que ser igual à maioria poderia me proporcionar uma vida muito mais fácil e cômoda, mas eu não sou igual aos outros! Eu também nunca expus a senhora e meu pai à situações que pudessem constrangê-los, nem nada desse tipo... Espero que a senhora não mude comigo... Por favor... (em lááááágrimas) Mãe, se você soubesse como a vida para pessoas como é mais difícil... A gente não pode expressar nem um terço do carinho que sentimos pelos outros, senão as pessoas nos apontam, nos expulsam, nos expõem... Quantas vezes nos amputam partes de nosso ser por pura ignorância? Quantas vezes tudo que a gente precisa é de um colo e compreensão, mas sempre acabamos por trancar tudo isso dentro de nós e secando nossas próprias lágrimas, pois temos de estar prontos pro próximo dia que começa, sem poder contar com aquilo que é de direito a todo ser humano? Um pouco de carinho e compreensão, é o que eu sempre quis! Mãe, quantas pessoas se policiam até nos momentos mais alegres, com medo que alguém nos aponte os dedo por estereótipos que todo mundo absorve? A vida é muito mais difícil pra gente, mãe...
Ela chorou, também. Se aproximou e me deu um abraço forte. eu me surpreendi. No mínimo eu esperava que ela fosse mencionar algum "colega do seu pai que procurou tratamento e hoje é casado e tem filhos". Já notaram como sempre tem gente que conhece casos assim?
-Eu te amo. Sempre te amei. E sempre vou te amar. Isso não muda em nada o que você sempre foi. E o que você vai ser. Eu sua mãe e sempre me orgulhei de tudo que você fez... Eu só quero a sua felicidade. E você vai ser feliz. Muito feliz. Eu tô aqui pra estar do seu lado. Pra sempre.
Eu fui eu mesmo. A bolha estourou. A ferida se abriu e tudo escorreu, dando lugar apenas a mim mesmo. Sem cascas, sem segunda pele, sem enxerto, sem hematomas, sem nada. Eu. No outro dia, meu pai, que é uma pessoa fechada, mas não menos maravilhoso, me deu um abraço forte e disse que podia contar com ele pra tudo. E eles me abraçaram. O filho que eles viram nascer voltara depois de tantos anos ausentes, coberto pelos medos adquiridos por osmose no mundo. Sim, por que apesar de eu estar sempre presente, me sentia longe, por não pode contar pra eles, me negando uma relação plena de pais e filhos, como deve ser.
Eu ganhei meus pais de novo. Os pais que protegem. Que vibram quando você se sai bem em alguma tarefa. Os pais que se orgulham. Que te dão a mão e só querem de você a sua felicidade e o seu sorriso. Isso é o bastante para eles.
Na minha convalescência, eu achava que aquela música estava errada, pois eu nunca tinha sofrido tanto como no ano passado. Será? Hoje vejo que não. Tudo que a música previu, aconteceu. O ano de 2004 foi incrível. O ano de 2004 foi O ANO. Os planetas se alinharam pra mim.
Antes eu me perguntava que diabos enviaram Denys na minha vida. Hoje, recuperado, mais vivo e feliz do que nunca, vejo que Deus escreveu certo por linhas tortas novamente. Foi preciso olhar Denys para ver o que eu não queria ser.
Ele deu o empurrão que faltava para que eu conseguisse a minha liberdade. Sabe lá quando eu iria poder ser eu mesmo? Quando eu conseguisse a minha independência? Isto ainda hoje não parece tão perto... Quando eu poderia agir sem peso na consciência, sem omitir ou mentir? Sem viver de mentira?
Hoje, 11 de Setembro, faz exatamente um ano que um ciclo se fechou e outro começou. Desde então, tenho convivido mais com meus pais e posso dizer que agora sou completamente filho deles. Viajo e aproveito todo o tempo que ainda tenho com eles e guardo cada segundo vivido e gesto observado no coração. Eles são e serão os melhores amigos que eu tenho. Também reaprendi mais sobre mim e hoje sou uma ótima companhia para mim mesmo. Gosto mais de mim e do mundo. Minha vida tá completa. Tenho amigos, tenho família, e o mais importante: Tenho a mim mesmo. Sei quem sou, tenho orgulho do que sou e minha casa está aberta para estar sempre cheia, mas protegida contra a poeira que gosta de se acumular nos cantos para nos fazer espirrar e turvar a visão.
Por tudo isto, agora sei a razão de tê-lo encontrado. E sou muito grato a ele por esse empurrãozinho que faltava para me sentir completo, leve, amplo, arejado e com vista pro mar.
Se eu o encontrasse hoje, não encontraria mais aquela raiva, mágoa e rancor. Eles foram varridos pelo tempo, enquanto eu espanava as estantes. Eu o olharia, apertaria as mãos e diria:
Muito obrigado, Denys.
Parabéns por um ano de aniversário fora do armário para miiiiiiiiim!!"
E é isso. A minha saída do armário levou um empurrãozinho que faltava pra ela acontecer, graças à uma perda, que se transformou na minha redenção. Se eu pudesse dar um conselho, eu diria pra todo mundo confiar mais na sua família e se colocar em primeiro lugar. A gente tá aqui pra viver, não pra existir, apenas. Temos todo o direito de sermos nós mesmos, plenamente. Negar isso é negar a própria vida. Nós temos muito valor e temos uma vida maravilhosa nos esperando lá fora. Pode parecer difícil, mas basta o primeiro passo pro resto acontecer naturalmente.
Claro, haverão casos e casos. Eu sei que tive muita sorte em ter pais assim. Mas alôôôÔu? Eu também pensava que ia encontrar seres monstruosos de marte que iriam me expulsar de casa, exatamente como você pode estar achando de sua família. Quer uma dica? Humanos não vêm com manual de instrução. Eles ainda podem te surpreender. Dê um desconto a eles e à você. E se por acaso houver alguma bronca, ainda assim, a sua atitude terá valido à pena. Você vai ver.
É a SUA vida. Os outros têm as vidas deles, e acredite, apesar de possíveis reprovações e outras coisas chatas, eles têm mais o que fazer do que viver a vida dos outros. Enquanto você poderá ficar triste e perder tempo remoendo tudo o que ouviu, achando que o mundo é cruel e vil (rimou!), eles não estarão nem aí, ocupados com suas próprias rotinas. Portanto, seja mais você e tome as rédeas da sua vida. Carregue suas baterias com quem você ama e te ama também. Podem ser seus amigos, alguém mais próximo da família... Viva e ame a sua vida. Nossas vidas são maravilhosas demais pra gente perder tempo assim.
P.S.: O bom disso tudo é que não preciso mais usar iniciais nem receber cartões com nomes incompletos. :) E vc tmb não!


Bem, aqui está meu depoimento. Fico feliz em poder apoiar quem também tá a fim de sair do armário e ter uma vida mais plena e feliz...
Me despeço aqui e aguardo contato de quem gostar de minha história.
Um grande abraço,
Juliano Mendes

Uma criança pode ver dois homens se beijando?

O primeiro evento gay realizado em um parque temático em São Paulo anos atrás foi um sucesso absoluto, principalmente na aceitação de funcionários e do público do parque que acabou levando a família sem saber que o dia seria "gay".
Claro que o evento não agradou a todos e pouquíssimas famílias reclamaram. Uma das indignações que acabei escutando foi "Meu filho é uma criança, não pode ver dois homens se beijando!!"
Não sei como é isso aos olhos dos outros, mas pra mim, que sou bacharel em psicologia e conheço todo o processo psíquico do ser humano, principalmente de uma criança, achei que varias coisas deveriam ser esclarecidas. E porque não na forma de um artigo? Onde poderia ser lido e recomendado para muitas outras pessoas?
Voltando a indignação do pai acima, eu pergunto, será que é tão terrível para uma criança ver 2 homens se beijando? Será que ela realmente não entenderia?
Antes de responder, vamos a dois exemplos.
O primeiro deles é sobre uma amiga minha e do meu namorado, heterossexual simpatizante e que freqüenta balada GLS sempre que pode com a gente e com um de seus familiares que também é homossexual. Ela tem uma filha de 7 anos e sempre quando vem em casa insiste em dizer a sua filha que nós dois somos primos e nunca namorados. Até ai ela é a mãe e acredita estar educando corretamente sua filha.
O segundo exemplo é de outro amigo, estudante de direito que pretende trabalhar com homossexuais quando se formar. Certa vez me contou que seu filho de 5 anos ao ver ele conversando com um casal gay sobre união civil chegou em casa e perguntou se os dois eram namorados. O pai respondeu que sim. O filho perguntou se isso poderia. Ele então disse que sim, homem com homem e mulher com mulher também namoravam e viviam juntos, mas que a sociedade não falava muito sobre isso. Seu filho entendeu este simples, sincero e verdadeiro esclarecimento e encerrou o assunto. Talvez o tenha futuramente de forma mais complexa, mas sua curiosidade foi sanada naquele momento de forma correta.
Bem, entre um exemplo e outro podemos observar que a diferença entre as duas atitudes é que no primeiro caso a mãe, por mais "simpatizante" que seja e desencanada com a homossexualidade, tem medo de contar a verdade a sua filha. Talvez porque no fundo acredite (sem ter total consciência disso) que a homossexualidade ainda é algo ruim e inaceitável. Ao ponto de esconder de sua filha e projetar seu medo sobre ela. Afinal, “nós somos primos e nunca namorados”.
Esse medo também remete a outro. Se homossexualidade não é apenas uma vertente da sexualidade humana, é algo negativo e ruim, tenho medo que minha filha se torne homossexual quando crescer, principalmente se souber da verdade dos dois ou mesmo ver duas pessoas do mesmo sexo se beijando.
Esse é o medo de muitos pais. Uma criança que ver duas pessoas do mesmo sexo se beijando irá querer fazer a mesma coisa quando crescer. Pois bem, eu nasci e cresci vendo casais heterossexuais se beijando na rua, na televisão, em parques e em vários lugares, no dia e na noite, muitas vezes por dia durante mais de 20 anos e nem por isso tive desejos ou vontades "heterossexuais".
Esse meu exemplo é suficiente para dizer que uma criança será homossexual ou não independente de qualquer outra coisa. O que vai diferenciar é que ela sofrerá mais ou sofrerá menos de acordo com a aceitação dos pais sobre os desejos que sente por pessoas do mesmo sexo. Dependendo do caso, nem precisará sofrer.
Um fato é certo. Devemos sempre ser sinceros com as crianças em suas perguntas. Principalmente sobre a sexualidade humana. Neste momento lembro de um um caso apresentado no livro "O desenvolvimento da Personalidade" de Carl Gustav Jung onde ele descreve todo o processo psíquico de uma menina de 3 anos quando sua avó lhe explica que todo bebê é trazido por uma cegonha. Fábula popular contada por milhares de pais "mentirosos" por todo o mundo. Nas primeiras páginas do livro Jung descreve como a menina descobriu a verdade (por associações próprias) durante dois anos e no final, quando imagina corretamente como são criados diz a sua mãe "Os bebês são trazidos pela cegonha!". Ela já sabe a verdade mas pensa, porque irei falar a verdade aos adultos se eles mentiram pra mim o tempo todo?
Concluindo, o medo dos pais sobre uma criança ver ou saber sobre homossexuais ou casais homossexuais é apenas uma transferência deste medo sobre elas. Caso a criança seja educada corretamente e com informações sempre verdadeiras, ela terá uma maior consciência do mundo em que vive, não terá seus pais como mentirosos (mais cedo ou mais tarde ela acabará descobrindo a verdade) e poderá se desenvolver da melhor forma possível.
Caso tenha alguma dúvida sobre como educar seus filhos corretamente, principalmente quando o assunto for sexualidade humana, consulte um profissional especializado (psicólogo, psiquiatra, educadores, etc) que entendam profundamente deste assunto. A regra básica é "fale sempre a verdade" juntamente com "Nunca minta ou omita qualquer informação".
Uma criança educada corretamente se tornará um adulto saudável e pronto para a vida com todos os momentos bons e ruins que ela venha a oferecer. Pense nisso.






Fabrício VianaFabrício Viana é bacharel em Psicologia e autor do livro sobre a homossexualidade chamado "O Armário - Vida e Pensamento do Desejo Proibido" (Site do livro: http://www.oarmario.com/)